
Para começar, reafirmo que sou fã da dramaturgia do Tarcízio Dalpra Jr.. Tenho gostado de todos os seus textos teatrais. Eles conseguem dizer muita coisa com frases claras, situações críveis e uma poesia agressiva que me agrada bastante. “Entre Infernos” tem tudo isso. E ainda mais uma carga de dramaticidade super envolvente, parece até que o autor tem idade pra ter vivido a ditadura brasileira dos anos 60/70! Parabéns total!
Atores: O Putz! está recheado de gente talentosa, por isso o espetáculo tem momentos preciosos de interpretação, mesmo para um texto bastante difícil para atores, imagino. Gostaria de destacar o Tairone, fiquei muito emocionado com a atuação dele. Dos demais atores também gostei muito, mas talvez ainda ficasse melhor se fossem eliminados alguns exageros de dramaticidade (hiper atuação).
Cenário e luz: Também gostei demais. Dão uma sensação de aprisionamento bastante coerente com o espetáculo... E bem bonito também. A sacada das garrafas e dos livros é perfeita para o clima da peça.
Figurino: Bonito, mas não me agradou muito. Me pareceu que "rouba um pouco a cena" do que realmente foi a ditadura que tivemos. Os religiosos parecem que estão fora do Brasil e no século 19. Fiquei na dúvida se isso colabora com o espetáculo.
A direção do Pablo é bastante corajosa e cheia de energia jovem, totalmente de acordo com o elenco que tem. Também estou ficando fã dele!
Bom, essas são impressões de uma única vez que assisti a “Entre Infernos”.
Desejo sucesso e vida longa a vocês...
Marcos Marinho
(Ator e diretor teatral. Atua também como figurinista e roteirista. Idealizador e coordenador do Espaço Mezcla)

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